Jornalistas debatem regulação do online
Esta manhã, pelas 9h30, teve início o primeiro painel do segundo dia das XII Jornadas de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho (UM). “Regulação do ciberespaço: como?” deu o mote para um debate com a moderação de Joaquim Fidalgo, docente da UM.
Os jornalistas presentes foram Daniel Catalão, da RTP, Pedro Cunha, do MaisFutebol, e Manuel Molinos, do JN. Na abordagem deste tema, considerado “frágil” pelo moderador, os oradores falaram da sua experiência enquanto profissionais do online e deram também a sua opinião sobre a regulação neste meio. Daniel Catalão deseja que não sejam criadas mais leis limitativas, pois a profissão de jornalista é já a mais regulada e regulamentada em Portugal: “É regulada até pela lei suprema do país, a Constituição da República”.

O jornalista diz que, mais importante do que a regulação, é perceber o que é que, na internet, se pode considerar jornalismo. É condição fundamental para o exercício da profissão deter uma carteira profissional. “Não podemos, assim, confundir blogues ou sites institucionais que relatam acontecimentos com jornalismo, há uma verosimilhança, mas não é, de facto, jornalismo”, completa Daniel Catalão. É, contudo, necessário, que sejam tomadas medidas, nomeadamente pela Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), afirma Catalão. E conclui: “Mais leis, não, obrigado.”

Auto-regulação é caminho mais eficaz da regulação
Pedro Cunha, do MaisFutebol, começa por contar a sua experiência no online. A grande vantagem do online é, para o jornalista, a interactividade e proximidade com o público. “A instantaneidade, o hipertexto, o multimédia e o arquivo constantemente acessível são uma mais-valia”, considera. Cada vez mais, o online é procurado por mais públicos. Pedro Cunha ilustra com um gráfico esta realidade, sendo que a “sede noticiosa” concentra-se nos horários da manhã, hora de almoço e final de tarde.

Manuel Molinos deu alguns exemplos de tentativas de regulação na Web, nomeadamente na Austrália e Argentina. Na sua opinião, enquanto jornalista, o poder da internet e da blogosfera aumentou imenso, daí a preocupação e necessidade de criar regulação. A forma mais eficiente será, diz, a auto-regulação. É difícil responsabilizar pessoas pelo que escrevem na internet.

No entanto, há sempre um “rasto”, como os IP´s dos computadores, para que se possa responsabilizar alguém. Molinos acha ainda que começa a fazer sentido que apareça um profissional para dinamizar e controlar, por exemplo, a área dos comentários e da própria comunidade online. Sugere, assim, que se crie um “provedor da comunidade”, acreditando também na auto-regulação como o método mais eficaz de regulação.
Texto: Paula Carvalho
Fotografia: Francisca Fidalgo Correia