Credibilidade dos RP no centro da discussão
“Relações Públicas: por onde vamos?” foi a pergunta que o GACSUM lançou no primeiro painel das XII Jornadas de Ciências da Comunicação, perante um auditório repleto de alunos e docentes. Os convidados focaram o facto de a profissão de Relações Públicas ser pouco conceituada, associando-se-lhe, por isso, uma publicidade negativa.
O moderador, Paulo Salgado, apresentou os cinco convidados que constituíram este painel: Gisela Gonçalves, José Albuquerque, João Pedro Sousa, Rui Oliveira Marques e Luísa-Bessa Coelho. Gisela Gonçalves, docente na Universidade da Beira Interior (UBI), abordou a questão da identidade pessoal de um Relações Públicas, cuja missão é, fundamentalmente, gerir a imagem de uma organização. A mestre em Ciências da Comunicação quis esclarecer a plateia em relação à “auditoria” à imagem das RP. Assim, subdividiu a questão em três pontos: imagem intencional (a forma como a empresa quer ser vista), auto-imagem (como falam as empresas sobre si mesmas) e imagem pública (como são faladas na Imprensa).

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE), João Pedro Sousa, abordou o comportamento ético associado à condição de sustentabilidade. Expôs os princípios que sustentam a actividade de um RP: a lei (e declarações universais), humanidade, lealdade, equidade e responsabilidade. João Sousa apresentou também os objectivos do Código de Conduta (elaborado por uma comissão independente), que foi ponto central deste painel. Passada a palavra a Luísa-Bessa Coelho, esta apelidou-se de “aprendiz de feiticeira” quando comparada com os restantes oradores. A profissional da comunicação começou por ser jornalista e, recentemente, “converteu-se” às Relações Públicas.

Comunicação “não é a actividade mais atingida” pela crise
Quanto a esta opção, considera que mudar de profissão deveria ser entendido como um sinal de flexibilidade, em vez de ser visto como um estigma. Quis ainda falar da sua experiência na Imago (Porto) e dar o seu parecer face à crise actual que afecta a sociedade. Assim, declarou que a comunicação “não é a actividade mais atingida”, apesar dos “cortes” financeiros que se têm vindo a fazer. Referenciou também o facto de o Norte ser pouco activo na promoção da sua imagem: “temos grandes histórias, mas escondemo-las debaixo do tapete”. Relativamente à importância da transmissão da mensagem, focou a campanha eleitoral de Obama, a qual se apoiou numa estratégia de RP 2.0.
José Albuquerque, do Grupo Auto Sueco, começou por frisar um ponto já tocado por outros convidados: as empresas estão totalmente expostas, daí a necessidade de defenderem a sua reputação. Enumerou três princípios que devem conduzir um profissional das Relações Públicas, de forma a melhorar a sua imagem, sendo eles a verdade dos factos, a consistência nas mensagens que as instituições fazem passar e ainda a objectividade dessas mesmas mensagens.

A fechar o painel, Paulo Salgado passou a palavra a Rui Oliveira Marques, ex-aluno de Comunicação Social da Universidade do Minho e actual director-adjunto da revista Meios&Publicidade. Este orador começou por falar da sua “aventura” em voltar à Universidade do Minho, passados cerca de 12 anos, tendo aconselhado os presentes a aproveitarem a passagem pelo ensino superior, desenvolvendo experiências extra-curriculares.
Relativamente ao tema central do painel, referenciou três problemas nas Relações Públicas, que poderiam ser resolvidos com a existência de um código de ética. Assim, salientou a transparência dos clientes, isto é, as empresas devem revelar os seus clientes reais, dado que nos sites surgem, muitas vezes, lapsos forçados, por razões de concorrência; referiu a importância de as agências explicarem aos clientes o que realmente lhes podem dar; e, por fim, falou da relação existente entre as agências de comunicação e os políticos. Terminadas as apresentações, o público teve a oportunidade de questionar os oradores sobre dúvidas relativas ao tema.
Texto: Ana Gomes
Fotografia: Francisca Fidalgo Correia